Sinopse (sujeita a mudanças):
Pais são criaturas inacreditáveis. Eles vão dizer que só fazem o que acham melhor para você, mas a verdade é que só fazem o que é mais cômodo para eles. A verdade não é uma opção saudável – não quando se tem que lidar com toda a carga de emoções relacionadas.
O meu pai escondeu de mim algo durante vinte e um anos, para me proteger. Chega a ser engraçado que ele tenha decidido me contar exatamente quando a minha vida está em perigo.
Chega a ser hilário que ele pague pelo seu erro… com sangue.
Primeiro Capítulo:
Um pássaro gordo pousou no galho da pequena árvore, fazendo-a se envergar com o seu peso. Bicou uma pena branca que manchava seu visual e fitou a tartaruga abaixo com seus olhos negros. A tartaruga não parecia se importar muito, abrindo um olho e depois o fechando, como se não precisasse se dar ao trabalho de prestar atenção no que estava ao seu redor além do necessário para se manter viva. Quem sabe se fosse um gavião, mas um passarinho daqueles só fazia mal a animais bem menores do que ela.
O pássaro faz um barulho e chama a atenção da tartaruga. Ela demora alguns instantes fitando a figura arredondada da ave e finalmente começa a se mover na direção dele. A ave agita suas asas e dá dois passos no galho em que estava, fazendo-o se envergar ainda mais na direção do chão.
- Você deveria parar de comer tanto. Daqui a pouco nem o maior dos ipês vai sustentar seu peso. – a tartaruga falou com uma voz profunda e antiga, um tanto empoeirada. O pássaro fez um barulho que teria feito qualquer transeunte atirar uma pedra nele com dó do seu sofrimento. – Você come porque quer, não reclame. Me diga por que está aqui.
O pássaro saltou do galho para o chão, a árvore ricocheteou e voltou ao normal, finalmente livre do peso incômodo daquele animal obeso. Ele agitou as asas mais uma vez e fez o seu barulho infeliz de animal agonizante (não que ele estivesse agonizante, esse era o barulho que ele fazia normalmente). A tartaruga balançou a cabeça e olhou para cima, encarando o céu com uma determinação anormal.
- Isso quer dizer que começou? Ótimo. Muito bom. Muito bom mesmo. – se uma tartaruga pudesse ser sarcástica, era esse o tom da voz dela nesse momento.
O pássaro alçou vôo e a tartaruga caminhou vagarosamente para a água, encarando o seu reflexo no azul do tanque do zoológico como se esperasse que algo saísse dali em breve. Um tratador que passava por ali resmungou algo como “tartaruga maluca” e continuou o seu caminho.
Algo estava prestes a acontecer.



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