Especial de Férias – Parte 2B

Bom, o último post foi sobre Séries de Livros para as férias… agora, vamos ao post para livros solo. Eu particularmente gosto de livros que não têm continuação (ou que pelo menos se completam sozinhos) ou ainda de séries em que cada livro conta uma história diferente do mesmo mundo. Eu gosto de ler um livro com história fechada, que acaba ali e/ou dá margem para a imaginação. Muitas vezes é melhor que um livro seja assim do que ter 171 continuações sem qualidade.

1) Os filhos de Anansi, do Neil Gaiman, publicado pela Editora Conrad.

Mais uma vez, um dos meus livros favoritos. Os filhos de Anansi conta a história de Fat Charlie, americano radicado na Inglaterra há anos que tem uma vidinha medíocre e está prestes a se casar. Então, recebe a notícia que seu pai, o velho Nancy, faleceu e tem que ir para os Estados Unidos confrontar todos os problemas familiares que tem e ainda por cima descobre que tem um IRMÃO. Exatamente. E quando o irmão dele o segue para a Inglaterra e se apaixona pela sua noiva, ele se vê de frente com problemas (e sentimentos) que nunca imaginou existirem dentro de si mesmo.
Neil Gaiman nos conduz por esse “drama familiar” de forma leve e hilária, com situações bizarras e, é claro, com as situações de fantasia que o caracterizam. Entendam, o Sr. Nancy é Anansi, o deus africano das histórias e da trapaça. Então Charles e Spider são filhos de um deus e, por tanto, têm poderes “sobrenaturais” como conseguir beber para caramba, cantar muito bem e fazer um quarto no subúrbio de Londres ter vista para uma cachoeira paradisíaca. Só que o Charles não aceita esse lado dele, porque ele se ressente do pai de uma forma um tanto irracional. Existem cenas no livro que são muito engraçadas e a conclusão só pode ser descrita como “fofíssima”.

Ah, e cuidado com o tigre…

2) Derby Girl, de Shauna Cross, publicado pela Editora Galera Record.

Ok, Derby Girl é um dos melhores livros lançados em 2009 pela Galera Record. Como a cherry_b já comentou, é a história de Bliss, uma adolescente meio alternativa que mora numa cidadezinha no interior do Texas e tem uma mãe viciada em concursos de beleza. A coisa que ela mais quer é “se libertar” da influência da mãe e consegue isso majestosamente: entrando para um time de Roller Derby como Babe Ruthless. Ela faz história. Só que ela é menor de idade, ela mente para a mãe sobre onde está enquanto ensaia e se apaixona por um cara de banda. Oi, todo mundo sabe que não se deve se apaixonar por um cara de banda.
O livro é contado em primeira pessoa pela Bliss e ela é hilária. Sim, ela é uma drama queen, mas quem é que tem 16 anos e não é nem um pouquinho dramática? A narrativa é muito leve e você termina o livro num pulo, ficando com um gostinho bom de quero mais. Nem que seja jogar Roller Derby!

3) A Magia de Holy Wood, de Terry Pratchett, publicado pela Editora Conrad.

Certo, esse faz parte de uma série, mas é uma série que não é necessário ler na ordem. Na verdade, a Série Discworld tem uns “arcos” dentro dela de personagens mais ou menos fixos, mas não é o caso desse livro.
A Magia de Holy Wood se passa no mundo do disco (para mais informações, aqui) quando o último guardião de “um mal antigo e adormecido” morre. Obviamente, o “mal antigo e adormecido” começa a se espalhar por Ankh-Morpork e a dominar a mente das pessoas, levando-as para a colina de Holy Wood. Primeiro, os alquimistas inventam imagens que se movimentam e podem ser projetadas. Depois, começam a contratar pessoas para fazer seus filmes. Aí, o Dribblet Cava a Própria Cova, o maior trapaceiro de Ankh-Morpork, parte para Holy Wood e funda o maior estúdio de imagens animadas de Ank-Morpork. Então, Victor, um aprendiz de mago, segue para Holy Wood levado por um impulso estranho e acaba se tornando um dos maiores atores de Holy Wood, junto com Ginger, a atriz que contracena com ele. Mas, sendo aprendiz de mago, ele sabe que há algo errado ali. Ele sabe que não é normal sentir a cabeça leve e de repente fazer a melhor atuação da sua vida sem se lembrar de nada… E, principalmente, sabe que não dá para confiar em nada que os alquimistas fazem. E resta a ele descobrir o que É que faz Holy Wood ser louca como é.

Terry Pratchett tem um estilo de escrita único e em A Magia de Holy Wood ele satiriza a indústria de filmes, ao mesmo tempo em que presta uma homenagem aos filmes mais clássicos. Citações de filmes, brincadeiras com as classes “clássicas” de fantasia (como magos, alquimistas, trolls, etc) e animais falantes que são mais sensatos que pessoas são a cereja do bolo. Esse é um dos melhores livros da série Discworld que foram publicados no Brasil, perdendo só para Guardas, Guardas e O Aprendiz de Morte.

4) Incidente em Antares, de Érico Verissimo.

Esse foi o melhor livro que eu li para a escola e não é por menos. Érico Verissimo é o pai de outro escritor ilustre, Luís Fernando, e eu só posso dizer que está no sangue. Em Incidente em Antares, ele conta a história de uma pequena cidade do sul chamada Antares e do episódio em que os mortos resolveram “não morrer” e empestiaram a cidade com a sua podridão.

O livro é tão bem escrito e tão bem descrito que você consegue imaginar os odores, as reações das pessoas aos mortos e tudo o mais. Além disso, há o fato de se passar no Brasil e os mortos causarem uma confusão sem limites na cidadezinha.

5) Jogo da Velha, de Malorie Blackmand, da Editora Galera Record.

Esse é um livro relativamente caro, mas que vale cada centavo gasto nele. Conta a história do amor entre Callum e Persephone num mundo um tanto “inusitado”. Na Inglaterra em que eles vivem, existem os Cruzes, que são os negros que formam a elite e os zeros, que são brancos que foram escravizados durante séculos e continuam fazendo trabalhos subalternos. Callum é um zero, filho da empregada da famílaide Persephone, que é filha de um político. Num mundo cheio de preconceitos, eles acabam vivendo muitas coisas profundas e intrigantes.
A parte mais interessante desse livro é como ele inverte o nosso mundo e constrói algo que nos faz questionar. O estranhamento é o primeiro sentimento que você sente, por estarmos tão acostumados a ver brancos como a “elite”. Depois, ela trabalha com a questão do terrorismo por parte das minorias, nos fazendo questionar se é válido ou não. Além disso, trabalha com os esteriótipos e tudo o mais. É um livro para quebrar barreiras e abrir mentes e vale muito, muito a pena dar uma lida.

A Partir daqui, a cherry_b elegeu os 5 “solo” que ela sugere para as férias. É responsabilidade dela!

1) Slam, de Nick Hornby
Esse é o primeiro livro juvenil do consagrado autor inglês Nick Hornby. É a história de Sam, que é quase uma Juno de calças.

Ele é um garoto de 16 anos que tem uma vida bem normal. Ele vive em Londres, gosta de andar de skate, é fã do Tony Hawk e tem uma mãe que é divorciada e que ficou grávida aos 16. Tudo começa num verão que tinha sido ótimo. A mãe do Sam estava ganhando mais dinheiro e tinha terminado com Steve, o namorado escroto, e o Sammy tinha ganhado um pôster do Tony Hawk (Isso é mais importante do que parece, tá?).

“Slam” é uma gíria inglesa de skatistas, quando sua manobra está indo muito bem, aí você percebe como ela é boa e pá: cai de cara no concreto. E é isso que acontece no livro. Tudo perfeito e maravilhoso, até que Sam conhece uma menina, Alicia, que parecia ser a menina dos seus sonhos. Os dois começam a namorar, e eles evoluem a coisa para o próximo estágio. Só que Alicia descobre que está grávida. Aos dezesseis, que nem a mãe do Sam. E a mãe dele fica toda “OMG! Eu vou ser avó e tenho a idade da Cameron Diaz!”

É aí que ele começa a engolir concreto. (outra gíria de skatista, haha.)

Ah, ele é um cara muito burro também, mencionei isso? Toda noite, ele conversa com o pôster do Tony Hawk, que sempre responde e dá conselhos. O guri tenta fugir pra Hastings, uma cidade perto de Londres, para viver como empinador de pinos de boliche, na hora que Alicia ia receber o resultado do teste. E ele tenta se esconder do pai e da mãe da Alicia atrás de um poste.

Quer dizer, é um livro hilário e verdadeiro, vale a pena. A narrativa é simples, direta e cheia de referências pop, do tipo que você se identifica com a história.
E dá pra ler em um dia.

2) Estranho Caso Do Cachorro Morto, de Mark Hadoon

Era uma vez um menino órfão de mãe e autista diagnosticado chamado Christopher. Ele sabe de cor todas as capitais do mundo e todos os números primos até 7.507. Ele odeia amarelo e marrom e odeia mais ainda ser tocado. Ele está andando na rua de uma pequena cidade perto de Londres que eu esqueci o nome, só sei que começa com S (Eu li esse livro há um ano e meio, dá um tempo!). Aí ele acha um poodle morto com um forcado. Ele fica com raiva. Como assim mataram o poodle?

Chris é fã do Sherlock Holmes (que nem eu! \o/) e resolve descobrir quem matou o bendito cachorro e escrever um livro contando o mistério, porque ele acha difícil imaginar coisas que não aconteceram com ele. Nota: o livro que dele escreve é a narração que a gente lê. Só que isso é só a ponta do iceberg. Na medida que ele vai tentando descobrir quem matou o cachorro, ele descobre coisas muito mais sérias sobre si mesmo e sobre sua família. E sobre sua mãe, que teoricamente estava morta.

Admito que me surpreendeu. Achei que ia ser bobo, daqueles livros bem idiotas mesmo. Mas não. Você dá muitas risadas, verdade. Só que é tão verdadeiro e tocante que é difícil acreditar que o Chris é só um personagem de ficção.

3) Caninos Brancos, de Jack London

Este aqui é o mais antigo da minha lista. Com a narrativa mais realista que eu já li, dá para sentir frio só de ler a descrição do Wild.
É a história de um lobo meio cachorro e toda a sua ÉPICA jornada pelo Alasca, desde que ele vivia na floresta até ser domesticado e forçado a se adequar ao mundo dos homens.
Caninos Brancos tem uma capacidade incrível de se adequar, de se adaptar. Ele já teve um dono índio, um dono branco e por fim acabou nas mãos de Weedon Scott, o único dono – ou deus, na visão do lobo – que foi bom com ele.
Uma história sobre a relação entre homens e animais, porém, acima de tudo, é uma história sobre como é não pertencer a lugar nenhum.

Se você for olhar por um lado, é meio piegas, mas fazer o quê? É meu livro preferido.

4) Diário Absolutamente Verdadeiro De Um Índio De Meio Expediente, de Sherman Alexie

Sherman Alexie conseguiu uma coisa incrível. Transformar um livro sobre superação e desigualdade social em uma coisa divertida. Arnold Spirit Junior, é em todos os sentidos, um menino azarado. Mora na reserva indígena mais pobre dos Estados Unidos, tem hidrocefalia, por isso a cabeça dele é enooorme. Ele apanha todo dia, a única pessoa que o defende é Rowdy, seu amigo durão. Por isso, ele passa seus dias trancado em casa, desenhando cartuns. Só que o que ninguém esperava é que Junior fosse um lutador. Após um incidente envolvendo um livro velho de geometria e o nariz de um professor, ele recebe o maior conselho da sua vida: Ele precisava sair da reserva. E rápido. O garoto se enche de coragem e se matricula em Reardan, uma escola de brancos fora da reserva, cujo o mascote é um índio, mas não há índios na cidade.
Exceto Junior, claro.
Ele chega lá, e todo mundo chama ele de Arnold, seu primeiro nome. Na cidade de caras-pálidas, ele conhece muita gente. Penelope, a garota loira e popular que me lembra vagamente a Elena, de Diários Do Vampiro (Ou seja,uma filha da p….), Gordy, o menino gênio com tesão metafísico e vários outros.

Só que Arnold vira o inimigo público nº 1 da reserva. Todos acham que ele é um traidor. Seu novo apelido é maçã. Não, não é porque ele é uma frutinha. É porque para os outros índios, Arnold é vermelho por fora e branco por dentro. Muitas coisas ruins acontecem, e Arnold ilustra todas elas com seus cartuns. No final, o índiozinho chega a uma conclusão: mesmo que esteja meio dividido entre as duas vidas que leva, ele aindo é um índio Spokane, nunca vai deixar de ser. E nunca vai deixar de batalhar. Porque é um guerreiro, acima de tudo.

Enfim, é uma história genuinamente sensível. O que mais pode se esperar de um livro?

5) Coraline, de Neil Gaiman.

Quando Neil Gaiman lançou Coraline, disse que seria um livro para “meninas estranhas, de todas as idades”. Talvez você já tenha visto o filme. Se viu, é interessante ler o livro também.

A história é muito sinistra. Coraline Jones se muda para uma grande casa vitoriana que foi dividida e transformada em apartamentos. Os vizinhos são excêntricos, e sempre erram seu nome. Coraline tem pais ausentes, e no primeiro dia, eles a mandam explorar a casa.
Nisso, Coraline se depara com uma portinha, que a leva para outro mundo. Um mundo mais legal, com pais divertidos e vizinhos que a chamam de Coraline, não de Caroline.
Só que nem tudo é o que parece. Ela percebe que sua mãe do “outro lado” tem botões no lugar de olhos. A mãe esquisita pede para costurar botões nos olhos da menina. (!)
Tudo era uma questão de escolha, até que a mãe dos botões aprisiona os pais verdadeiros de Caroline, forçando-a a voltar ao universo paralelo para resgatá-los.

É muito, muito bom. Tem algumas partes que me deram calafrios, mas foi uma ótima introdução ao mundo macabro da Gaiman.

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4 Comentários

Arquivado em Especial Férias, livro

4 Respostas para “Especial de Férias – Parte 2B

  1. Lily

    Ok, não li nenhum dos livros citados aqui. Mas parecem muito bons pelos comentários! Já comecei Coraline e não deu tempo de terminar, e li os primeiros capítulos de Estranho Caso Do Cachorro Morto. Vou procurar terminar. 😛

  2. Les Curieux

    Quero ler o da Derby!!

  3. Dandra

    Ah, eu quero ler os livros do Neil Gaiman. Principalmente esses dois que vocês falaram.Vi um vídeo esses dias, escrito e dirigido por ele, chamado Neil Gaiman's Statuesque, conta a história de um homem que se apaixona por uma estátua viva .. com consequências incomuns.Pena que não está mais disponível =/Bjs

  4. Debyh

    Ah sempre tive vontade de ler Caninos Brancos devo ter pegado na mão pra comprar pelo menos umas 5 vezes (sem exagero), qm sabe da prox eu compro XD

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