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Certo ou duvidoso?

Não posto coisas de política no NUPE por motivos óbvios. Não é o objetivo nem nada. Nesse, como um blog mais pessoal, eu sinto a liberdade de compartilhar um texto.
Não sei se sabem, mas minha mãe é jornalista. Sempre trabalhou pela causa trabalhista (hahaah), sendo em sindicatos e, mais recentemente, nos Ministérios do Trabalho e da Previdência. Ela acredita na chance que temos de tornar as pessoas mais iguais, de dar as mesmas oportunidades para todos e ensinou isso para nós (eu e minha irmã) desde pequenas. Agora, às vésperas do segundo turno, ela escreve um texto relatando o que ela VIU acontecer (sem incluir o relato emocionante de quando foi para Tauá, uma cidade no interior do Ceará).
Divirtam-se.

 

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Amigos, escrevi este texto que contém basicamente o que penso destas eleições. Acho que todos temos que refletir e fazer a melhor opção no próximo domingo. Eu vou votar na Dilma, por acreditar no seu projeto para o país, em continuidade ao do presidente Lula.  E faço apelo àqueles que,  ainda indecisos,  escolham pensando em todos os brasileiros. Beijos, Fátima
O certo ou o duvidoso?

O ditado popular não troque o certo pelo duvidoso cai bem no processo eleitoral em que vivemos. Se por um lado temos uma candidata afinada com o atual governo, comprometida com a sua continuidade, de outro temos um candidato que nos apresenta promessas e dúvidas acerca da sua realização. No caso do salário mínimo, por exemplo: como acreditar no aumento prometido se durante o governo do qual ele foi ministro do planejamento, o salário foi sempre irrisório?

É certo, e a realidade é nossa fiadora, que o Brasil com Lula mudou a vida de milhares de pessoas, quiça de todos os brasileiros. Não vou citar estatísticas, pois são facilmente manipuláveis. Quero falar de gente, que sente, que come, que trabalha e se diverte.

Para ilustrar a minha conversa vou contar uma história: outro dia estava no salão de cabelereiro que freqüento há anos aqui em Brasília e me deparei com um comentário extremamente preconceituoso. Partiu de uma pessoa que vive como eu, ou seja, tem bom salário, mora bem e nasceu com todas as oportunidades inerentes à classe média. Ela, do alto da sua “sabedoria” criticou o volume de carros que pertuba o trânsito na cidade reputando a culpa a “essas pessoas que fazem um parcelamento de 60 meses para comprar um Fiat”. Estava indignada com essa ousadia a lhe atrapalhar a vida.

Não pude ficar calada e questionei porque eu posso (falei de mim para não ofendê-la) ter 3 carros na minha casa, um para cada motorista existente, e um trabalhador não teria o direito a ter pelo menos um. Ela não se deu por vencida e saiu com essa: “de que adianta ter carro e não poder pagar o IPVA?”. Desta vez a Paula, minha manicure, revidou: “nunca deixei de pagar o IPVA do meu carro”.

O constrangimento foi geral porque a eleitora do Serra – ela confessou seu voto – achava que só quem estava escutando as suas queixas, de burguesa aborrecida com a ascensão da pobreza, eram as clientes do salão – pessoas do “seu nível”, ignorou que parte “dessas pessoas” como qualificou, estava ali mesmo trabalhando.  Confesso que até para mim foi uma feliz surpresa saber que a minha manicure possuía um carro. Isso seria impensável há poucos anos.

Mas se para mim foi surpresa, para ela foi um choque terrível saber que aquela mulher que dá massagem nos seus pés toda semana pode disputar com ela uma vaga no estacionamento do shopping?  Foi demais para uma médica que freqüenta os melhores lugares da cidade, que se considera culta, inteligente e linda. .

Estou contando isso porque não me saiu da cabeça que, infelizmente, esse perfil de pessoa ronda por aí, em todos os cantos a destilar o seu ódio pequeno e burro. Pensem: quanto mais gente conseguir romper o ciclo de miséria que se impõe por gerações melhor para todos. São  mais de 28 milhões de pessoas que saíram dessa fatídica linha da pobreza. Ainda te conto mais: a Cleide que trabalha na minha casa foi conhecer o neto recém-nascido em São Paulo, num rápido fim de semana, de avião. Adorou e se achou linda também.

A campanha serrista agora, e só agora no 2º turno, assevera que tudo começou com FHC. Em termos de economia (a um custo altíssimo e a custa das riquezas do país) pode até ser uma meia verdade. Mas o olhar social, que permite o acesso ao emprego, a comida, a transporte próprio, a instrução, a moradia e ao lazer veio com o governo Lula e será assumido pelo governo de Dilma Roussef. É preciso reconhecer que isso é bom para toda a sociedade, ter pessoas mais felizes e acabar com esse ranço de classe média ofendida e exclusivista.

Pensemos em todos, com egoísmos a parte. Muitas pessoas já sabem que não vão trocar o certo pelo duvidoso.  Eu também! E você???

Fátima Gomes – jornalista

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